
Em 2023, o curta-metragem Critterz chamou a atenção por um motivo incomum. Produzido pela Native Foreign em parceria com a OpenAI, o filme foi apresentado como uma das primeiras animações a utilizar imagens geradas por Inteligência Artificial como base para toda a sua direção de arte.
Mas existe um detalhe importante que costuma se perder nas manchetes. Ao contrário do que muitos imaginam, Critterz não foi criado inteiramente por uma máquina.
A história, os personagens e a concepção do universo foram idealizados pelo diretor Chad Nelson. A Inteligência Artificial entrou no processo para gerar os elementos visuais — personagens, cenários, objetos e ambientes — utilizando o DALL·E. A partir desse material, uma equipe de artistas e animadores transformou imagens estáticas em uma animação completa, adicionando movimento, edição, som, ritmo e narrativa.
O resultado pode parecer simples quando comparado às produções atuais. No entanto, sua importância talvez não esteja na sofisticação técnica, mas no fato de representar um dos primeiros experimentos bem-sucedidos de integração entre IA generativa e produção audiovisual profissional.
Nesse aspecto, Critterz ocupa uma posição semelhante à de outras obras pioneiras da história da animação digital. Filmes que hoje podem parecer limitados, mas que ajudaram a abrir caminho para tudo o que veio depois.
Critterz e Tin Toy: pioneiros separados por 35 anos
Talvez Critterz não seja lembrado como a obra-prima da animação por Inteligência Artificial. Mas, da mesma forma que Tin Toy permanece importante décadas depois de suas limitações técnicas terem sido superadas, o curta pode acabar ocupando um lugar especial na história por mostrar um dos primeiros momentos em que a IA generativa deixou de ser uma curiosidade tecnológica e começou a participar efetivamente da criação de filmes.
Quando a Pixar lançou Tin Toy, em 1988, a animação por computador ainda engatinhava. Os movimentos eram limitados, os personagens pareciam artificiais e o famoso bebê do filme envelheceu de maneira curiosa aos olhos do público moderno. Mesmo assim, a obra tornou-se um marco porque apontava para o futuro.
Com Critterz acontece algo semelhante. Mais importante do que julgar o resultado final é perceber o que ele representa: um dos primeiros passos de uma nova ferramenta criativa que, assim como a computação gráfica décadas atrás, ainda está aprendendo a caminhar
“É verdade… isso parece rudimentar hoje, mas sem ele talvez não existisse Toy Story.”
