
Dois quadrinhos brasileiros de grande repercussão estão prestes a ser lançados nos Estados Unidos pela editora independente Fantagraphics em 2026, ampliando ainda mais o alcance internacional da produção nacional de histórias em quadrinhos.

Mukanda Tiodora – de Marcelo D’Salete
Originalmente publicado no Brasil em 2022 pela editora Veneta, Mukanda Tiodora é um romance gráfico histórico inspirado na vida real de Tiodora Dias da Cunha, uma mulher negra nascida no Congo que foi trazida ao Brasil como escravizada no século XIX. A narrativa se baseia em cartas autênticas escritas por ela em busca de liberdade e de contato com sua família, traduzidas para o inglês pela Fantagraphics sob o título Tiodora’s Letters: An Enslaved Woman’s Fight for Family and Freedom.
A obra é reconhecida tanto pela profundidade histórica quanto pela qualidade artística, combinando pesquisa rigorosa com narrativa visual sensível. No Brasil, Mukanda Tiodora ganhou prêmios importantes, como o Prêmio Jabuti de melhor história em quadrinhos e destaque no troféu HQMix, além de ter sido lançada em países como França, Espanha e Portugal antes da edição americana.

Luzes de Niterói – de Marcello Quintanilha
Também previsto para 2026, Luzes de Niterói acompanhará o público norte-americano com o título The Lights of Niteroi. Publicado originalmente em 2019 no Brasil (pela Veneta), o quadrinho é inspirado em eventos vividos pelo pai do autor e mergulha na atmosfera dos anos 1950 na cidade de Niterói.
A história foca na amizade entre o jovem Hélio(Helinho), um garoto sensível e curioso, e um marinheiro estrangeiro que passa a frequentar a cidade, estabelecendo uma relação marcada por admiração, afeto e ambiguidades. A narrativa se constrói a partir de pequenos gestos e silêncios, explorando temas como descoberta, identidade, memória e a passagem da infância para a maturidade.
Em Luzes de Niterói, Marcello Quintanilha aposta em uma narrativa intimista, quase silenciosa, em que o peso dramático não está nos grandes acontecimentos, mas nas pequenas observações do cotidiano, nos olhares, nas pausas e nos gestos contidos. Quintanilha constrói a história com um ritmo calmo e cinematográfico, explorando a memória afetiva, a descoberta do outro e as ambiguidades das relações humanas, enquanto o desenho expressivo — marcado por enquadramentos precisos e uso intenso de luz e sombra — reforça o clima melancólico e reflexivo da obra.

