
Lançado em 2023, O Menino e a Garça marca o retorno de Hayao Miyazaki à direção e reafirma a força do Studio Ghibli como um dos pilares da animação mundial.
A história acompanha Mahito, um garoto que, após a perda da mãe durante a guerra, se muda para o interior do Japão. Lá, ele encontra uma enigmática garça que o conduz a um universo paralelo — um espaço onde memória, fantasia e realidade se misturam de forma muitas vezes desconcertante.
Diferente de obras mais acessíveis do estúdio, como A Viagem de Chihiro, o novo longa aposta em uma narrativa mais fragmentada e simbólica. Miyazaki constrói uma experiência menos linear e mais sensorial, convidando o espectador a interpretar imagens e situações em vez de simplesmente acompanhá-las.
Visualmente, o filme mantém a tradição do Ghibli: animação desenhada à mão, cenários ricos em detalhes e um cuidado extremo com o movimento — do vento na vegetação aos pequenos gestos dos personagens. Ao mesmo tempo, há uma liberdade criativa maior, com sequências que beiram o surreal e rompem com a lógica narrativa convencional.




Mais do que uma história, O Menino e a Garça funciona como uma reflexão sobre luto, criação e o próprio ato de imaginar. Muitos críticos apontam o filme como uma obra profundamente pessoal de Miyazaki, quase uma despedida artística — ainda que, como sempre, ele mantenha o mistério sobre seus planos futuros.
O reconhecimento veio rapidamente: o longa conquistou o Oscar de Melhor Animação, reforçando que, mesmo em um cenário dominado por grandes estúdios e tecnologias digitais, ainda há espaço para obras autorais, feitas com tempo, sensibilidade e visão artística.
