
Fiz uma pesquisa pela Internet sobre o mercado de HQs brasileiras porque terminei a minha edição dos Terroristas Temporais e pretendo, em março, fazer um lançamento pelo Catarse e o mercado está bem promissor para 2026. Boas notícias para este ano.

Os quadrinhos brasileiros vêm passando por um momento de expansão e visibilidade inédita nos últimos anos, impulsionados tanto por iniciativas no mercado tradicional quanto pelo fortalecimento de modelos independentes de produção e distribuição. Em 2026, esse movimento ganha ainda mais contornos próprios — com dados concretos, eventos mais estruturados e plataformas de financiamento coletivo desempenhando papel-chave.
O papel central do Catarse no crescimento dos quadrinhos
Uma das forças mais claras por trás do crescimento recente dos quadrinhos nacionais é o financiamento coletivo, especialmente via Catarse. A plataforma não só viabiliza publicações que muitas vezes não teriam espaço nas editoras tradicionais, como também cria uma relação direta entre criadores e leitores, transformando o público em apoiadores ativos de projetos autorais.
Segundo a 2ª Pesquisa Nacional sobre Quadrinhos no Catarse, a categoria de quadrinhos tem números sólidos:
- Em 2024, os apoiadores recorrentes representaram mais de 78% dos apoiadores, evidenciando uma comunidade fiel.
- São Paulo lidera tanto em número de projetos quanto de apoiadores desde 2011, com mais de 1.650 campanhas e mais de 200 mil apoiadores.
- Entre as campanhas de maior arrecadação estão títulos notáveis que superaram R$ 500 mil em apoio — um sinal claro de que quadrinhos autorais podem ser bem-sucedidos financeiramente no Brasil.
Essa forte presença mostra que o Catarse virou não apenas um mecanismo de arrecadação, mas um ecossistema de produção editorial independente, em que autores podem:
- planejar suas tiragens com base em compromissos reais de apoio,
- testar formatos e gêneros diversos diretamente com o público,
- e construir um relacionamento de longo prazo com leitores engajados.
Dados e projeções: 2025 vs. 2026
Para entender melhor o panorama atual e o que esperar para 2026, reunimos abaixo um comparativo com base em dados disponíveis e projeções:
| Indicador | 2025 (estimado) | 2026 (projeção) |
| Campanhas de quadrinhos no Catarse | ~400+ por ano | 420–450+ (tendência de crescimento) |
| Taxa de sucesso das campanhas | ~85%+ | ~85%+ (projetada estável) |
| Arrecadação total em quadrinhos no Catarse | ~R$ 7,7 mi | R$ 9–10 mi (estimativa) |
| Número de apoiadores de HQ | ~27 000 | 28–30 000 (crescimento modesto) |
| Eventos e feiras de quadrinhos | Diversos regionais | Mais circuitos e encontros regionais |
| Primeira chance de lei oficial do Dia do Quadrinho Nacional | Não oficial | Projeto de lei em tramitação no Senado |
Essas projeções são conservadoras, mas refletem uma tendência clara: mercado e cena estão migrando de ciclos curtos para um crescimento mais sustentável e organizado.
Outros fatores que impulsionam os quadrinhos
Além do Catarse, alguns fatores ajudam a explicar esse movimento:
Diversidade temática e autoral
As obras brasileiras recentes abordam temas variados — de ficção fantástica e crítica social a narrativas pessoais e regionais — com estilos visuais distintos, o que amplia o apelo para públicos diferentes.
Eventos, prêmios e visibilidade
Premiações como o Troféu Angelo Agostini e o HQ Mix reforçam a visibilidade dos lançamentos nacionais e criam um calendário anual em torno dos quadrinhos no país.
Expansão de eventos e festivais
Feiras como a Bienal de Quadrinhos e presença de autores brasileiros em festivais internacionais aumentam a circulação das obras e fortalecem redes de leitura, parcerias e intercâmbios artísticos (inclusive com edições bilíngues de catálogos e coleções).
Por que isso importa para 2026
O que se observa é que os quadrinhos brasileiros deixaram de ser um nicho isolado para se tornar um campo profissional mais coeso, com indicadores de mercado e mecanismos de sustentação. Alguns sinais claros disso são: campanhas de financiamento que ultrapassam faixas altas de arrecadação, apoiadores recorrentes que mantêm o ecossistema vivo, e o potencial reconhecimento institucional maior — como a chance de tornar o Dia do Quadrinho Nacional uma data oficial no calendário brasileiro.
O crescimento dos quadrinhos brasileiros em 2026 não é um fenômeno isolado, mas sim o resultado de uma construção coletiva que envolve: financiamento colaborativo bem-sucedido; comunidade de leitores engajada; diversidade de produções e narrativas; festivais, prêmios e presença internacional.
Esses elementos juntos criam um cenário sólido e promissor para que, nos próximos anos, os quadrinhos brasileiros sigam ganhando espaço — tanto nas prateleiras quanto no coração dos leitores.
