
Esta animação, embora com uma estrutura muito comum, surpreende pela narrativa
French Roast é uma animação do francês Fabrice O. Joubert que curiosamente começou em uma escola de animação chamada de “École Georges Méliès onde os alunos trabalharam com o autor no verão de 2007 até que então o Pumpkin Studio chegou para assumir.
FRENCH ROAST foi exibida em cerca de 20 festivais. O filme ganhou 3 prêmios, entre eles “Melhor Animação” no Festival de Cinema de Foyle, na Irlanda do Norte, e “Melhor Curta de Animação” no Festival de Cinema de Atlanta. Também foi selecionado para o SIGGRAPH 2009 e está na competição “Melhor da Mostra. além da indicação ao Oscar, a animação venceu o ANIMA – Córdoba Internacional Animation Festival.
Mas para não dar spoiler deixo aqui o link para que possam ver a animação

A estrutura é bem convencional seguindo os três passos de um roteiro básico.
1º ato – O começo, um cidadão tomando um café em um restaurante de Paris quando se dá conta que esqueceu sua carteira
2º ato – O desenvolvimento, a passagem do tempo foram marcados por uma tela preta, corte para o cidadão com uma dúzia de xícaras de café para passar a ideia do tempo que está lá. É o atp onde acontece o clímax com todos os personagens envolvidos quebrando p ambiente calmo até então.
3º ato – O fim – a passagem do tempo foi marcada pelo cenário de fundo, um espelho refletindo a rua mostrando que já era noite, onde a situação é resolvida de forma inusitada.
Tecnicamente uma animação comum, mas que se destaca por ilustrações riquíssimas e um conflito realmente interessante, é sutil, intimista. Normalmente na narrativa dramática, ou seja, o motor que move uma história tende a ser maniqueísta, o bem contra o mal: Super Homem X Lex Luthor; Batman X Coringa; Tio Patinhas X Irmão Metralhas e por aí vai.
Em French Roast no primeiro ato nosso personagem percebe que não está com sua carteira, não tem como pagar pelo café e se desespera. Um indivíduo comum pediria fiado, deixaria um relógio empenhado, mas nosso personagem não, a espera de um milagre pede mais café.
No segundo ato, sempre angustiado por uma situação sem solução, já empanturrado de café começam a aparecer outros personagens, até então apenas ele e o garçom, entra uma senhoria, ele ao rechaçar um mendigo que pedia uns trocadinhos, vê a senhoria dar ao mendigo tirando uma nota de sua valise cheia de dinheiro, aí demonstra um lado feio de sua personalidade: tenta roubar sua bolsa enquanto a senhora vai ao toalete (acho que foi ele que inspirou o pessoal a roubar os velhinhos do INSS) e é quando tudo acontece, o caos, acha uma máscara de um perigoso assaltante pendurado em uma coluna por um policial presente no momento, dá um tiro quebrando o silêncio até então reinante, assusta o mendigo que espalha todos os seus papéis no chão e que termina pagando sua conta.
Um excelente roteiro que mesmo em uma estrutura tradicional surpreende pelo conflito intimista, da personalidade de um indivíduo provavelmente introspectivo e cria uma narrativa muito legal, evidentemente com uma arte visual maravilhosa, mas isso é assunto para outra hora.

