
Há muitos anos, quando dava aulas no curso de Jornalismo da UFSC, comecei a trabalhar com o então Macromedia Flash, antes de a Adobe adquirir o programa. Era o início do jornalismo interativo, que na época também era chamado de Flash Journalism e acabou se tornando um dos focos do meu mestrado. Minha dissertação, Webdesign Aplicado ao Jornalismo, foi acompanhada por um CD que reunia meus conteúdos didáticos.
Eu costumava produzir materiais em Flash para apresentar em aula através de datashow. Textos, imagens, animações e navegação podiam ser reunidos em arquivos muito pequenos, algo especialmente importante para a velocidade da internet daquele período.
O .swf era um dos formatos exportados pelo Flash. Durante muitos anos foi amplamente utilizado na internet, mas acabou entrando em desuso e, com o encerramento do suporte ao Flash Player, em 2020, tornou-se praticamente inacessível nos navegadores atuais. Com isso, meus materiais ficaram tecnologicamente obsoletos, embora boa parte de seu conteúdo continuasse atual.
O trabalho apresentado a seguir é dedicado a Angelo Agostini. A parte biográfica foi recolhida da obra de Athos Eichler Cardoso, no livro As Aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora, publicado pelo Senado Federal. A esse material acrescentei análises da diagramação e da composição de algumas páginas de Agostini — soluções que, mesmo criadas no século XIX, continuam surpreendentemente modernas.
Também descrevi o processo da litografia e utilizei sequências dos desenhos de Agostini para criar pequenas animações, aproveitando a precisão com que ele representava o movimento. Toda a navegação foi desenvolvida em Flash.
A estrutura funcionava de maneira bastante simples e eficiente: um arquivo central ocupava o nível zero e, através dos botões de navegação, chamava os demais arquivos para níveis superiores. Assim, o produto não precisava ser carregado inteiro de uma vez; cada conteúdo aparecia somente quando solicitado. Era uma solução adequada às limitações de velocidade e de banda da internet daquele período.
Com o desaparecimento do Flash, considerei esse trabalho praticamente perdido durante muitos anos. Os arquivos continuavam comigo, mas já não havia uma maneira simples de executá-los e navegar pelo material como originalmente havia sido concebido.
Até que entrou em cena a inteligência artificial.
Literalmente conversando com a “Sofia”, o ChatGPT, iniciamos uma espécie de arqueologia digital. Os antigos arquivos .swf foram lidos e desmontados, permitindo identificar textos, imagens, botões, animações, Movie Clips e a estrutura de navegação. A partir dessas peças, o material pôde ser reconstruído em HTML5, preservando tanto quanto possível sua organização e seu funcionamento originais.
Para mim, foi uma alegria enorme recuperar um trabalho que considerava perdido havia muitos anos.
O resultado está logo abaixo.
