
Heavenly Appeals, curta de animação dirigido por David Lisbe, parte de uma narrativa claramente maniqueísta: o bem absoluto, o mal condenado e um sistema celestial que julga sem nuances. A história acompanha o julgamento de uma alma “imperfeita”, reforçando, a princípio, uma lógica moral rígida e confortável.
Mas o grande mérito do filme está na virada final. Aos poucos, a animação subverte essa moral simplista e revela um paraíso menos puro do que parece, onde o bem se mostra autoritário e o mal, paradoxalmente, mais humano. No desfecho, o que era condenado é aceito, e o que julgava se revela corrupto.
Com humor ácido, visual estilizado e um roteiro direto, Heavenly Appeals funciona como uma crítica elegante às estruturas morais absolutas e à hipocrisia institucionalizada — daquelas animações curtas que ficam na cabeça bem depois de terminar.
